Hideo Kojima teme futuro totalmente digital: "O acesso pode ser cortado a qualquer momento"
- Gustavo Ribeiro
- 6 de jul.
- 2 min de leitura
A recente decisão da Sony de abandonar a mídia física para novos jogos a partir de 2028 reacendeu um antigo alerta feito por Hideo Kojima. O criador de Metal Gear e Death Stranding voltou a ganhar destaque nas redes sociais após jogadores resgatarem uma publicação de 2021, na qual demonstrava preocupação com um futuro em que consumidores deixariam de ser donos de seus conteúdos digitais. Para Kojima, a dependência de plataformas online pode fazer com que jogos, filmes, livros e músicas se tornem inacessíveis de uma hora para outra.
A declaração voltou a circular após o anúncio da Sony sobre o fim da produção de novos jogos em disco, levando muitos jogadores a considerar que o desenvolvedor antecipou uma preocupação que hoje domina parte da comunidade. Embora sua mensagem tenha sido publicada há cinco anos, ela passou a ser vista como extremamente atual diante da transformação do mercado rumo ao formato exclusivamente digital.

"Nada será realmente nosso", diz Kojima
Na publicação de 2021, Kojima afirmou que, com o avanço da tecnologia, os consumidores poderão deixar de possuir seus próprios conteúdos digitais. Segundo ele, mudanças políticas, econômicas, tecnológicas ou até mesmo de estratégia das empresas podem impedir o acesso a obras adquiridas legalmente.
"Eventualmente, até mesmo os dados digitais deixarão de ser propriedade dos indivíduos. Sempre que houver uma grande mudança no mundo, em um país, em um governo, em uma ideia ou em uma tendência, o acesso poderá ser cortado repentinamente."
O desenvolvedor também destacou que seu receio vai além dos videogames. Para ele, filmes, livros e músicas poderão enfrentar o mesmo problema, deixando os consumidores dependentes das decisões das empresas responsáveis pelas plataformas digitais. Como o próprio afirmou, esse medo "não é ganância", mas sim uma preocupação com a preservação do acesso ao conteúdo adquirido.
Caso de P.T. é um dos exemplos mais lembrados
As preocupações de Kojima ganharam ainda mais força porque ele próprio viveu uma situação semelhante. Em 2014, P.T., teaser jogável de Silent Hills, foi removido da loja digital da Playstation após o cancelamento do projeto. Posteriormente, até mesmo jogadores que já haviam resgatado o conteúdo perderam a possibilidade de baixá-lo novamente em alguns casos, transformando a demo em um dos maiores exemplos da fragilidade da distribuição exclusivamente digital.
Para muitos fãs, episódios como esse mostram que a compra de uma licença digital não oferece necessariamente a mesma garantia de posse proporcionada pela mídia física, já que o acesso ao conteúdo pode depender de decisões comerciais tomadas pelas empresas.
Debate cresce após decisão da Sony
As declarações de Kojima voltaram a repercutir justamente em um momento em que a indústria discute o futuro da mídia física. O anúncio da Sony de que deixará de produzir novos jogos em disco a partir de 2028 reacendeu o debate sobre preservação dos videogames e os direitos dos consumidores em relação aos produtos digitais.
Embora a digitalização ofereça mais praticidade e reduza custos para as empresas, críticos do modelo temem que jogadores fiquem cada vez mais dependentes de servidores, contratos de licenciamento e decisões corporativas para continuar acessando jogos que compraram. As palavras de Kojima, escritas anos antes dessa mudança, passaram a simbolizar exatamente essa preocupação.



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